Espondilite Anquilosante


Espondilite Anquilosante

A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica e progressiva que afeta principalmente as articulações da coluna, ombros, quadril e joelhos.


O que é a Espondilite Anquilosante?

Na espondilite anquilosante o paciente é acometido por uma alteração nas articulações do chamado esqueleto axial (coluna, cabeça e tronco). Costumam ser afetadas as articulações da coluna, costelas, ombros, quadril e joelhos. A doença ainda não tem cura e a principal complicação da doença é a fusão dos ossos das articulações afetadas, comprometendo gravemente a postura e a mobilidade.

Por se tratar de uma condição sistêmica, outras partes do corpo podem ser afetadas: pele (psoríase), olhos (uveíte), intestinos (colite), pulmões (fibrose) e coração.

Quais são os sintomas da espondilite anquilosante?

A doença costuma afetar mais frequentemente homens que mulheres e apresentar os sintomas iniciais no período entre o fim da adolescência e a quarta década de vida. O sinal mais comumente relatado pelos pacientes é a recorrência de dor na lombar sem motivo aparente. Essa dor pode se propagar para as nádegas e porção posterior de coxas.

A dor tem uma característica peculiar que é sua melhora com atividade física e intensificação durante o repouso. Por isso, não é incomum que a persistência da dor nas costas esteja acompanhada de dificuldade matinal de realização de movimentos corriqueiros do despertar, o que, normalmente depois de um mês levam o paciente ao médico.

Apesar de estes serem os sintomas mais comuns, eles podem não estar sozinhos. Há relatos frequentes de outros eventos associados, como cansaço inexplicável, perda de apetite, dor e inchaço em outras articulações além da coluna e em alguns casos, dificuldade em respirar.

O que causa a espondilite anquilosante?

Ainda não conhecemos com certeza a causa da espondilite anquilosante, mas há uma clara associação com uma variação de um gene conhecido como HLA-B27. Por outro lado, ter o gene não é preditivo de desenvolvimento da doença, mas acredita-se que ele seja um fator de predisposição e que um evento paralelo, como uma infecção intestinal, por exemplo, possa deflagrar o início da doença.

Além da presença do gene, ser do gênero masculino e ter entre 20-40 anos são outros fatores de risco para espondilite anquilosante. Por exemplo, uma mulher cujo pai apresentava a doença, mesmo tendo o caso na família, se passar dos 40 anos sem apresentar sintomas, provavelmente nunca desenvolverá a doença.

Como é feito o diagnóstico da espondilite anquilosante?

O diagnóstico é feito com base em um conjunto de informações obtido durante a consulta e reforçado com dados de exames complementares. Claro que em uma doença com um forte substrato genético, o histórico detalhado do paciente e o conhecimento de casos ou não em sua família é extremamente importante.

Alguns sinais clínicos detectados no exame físico podem ser indicativos da doença como limitação da mobilidade da coluna, alterações características de postura e dores específicas à algumas manobras na avaliação física.

Alguns exames podem ser necessários para esclarecer dúvidas, então pode ser que sejam solicitados raios-x, ressonância ou tomografia, bem como exames de sangue e até genéticos. Entretanto, por se tratar de uma doença progressiva, o diagnóstico pode ser complicado se a doença estiver muito no início, mas o acompanhamento é essencial em caso de suspeita.

Qual o tratamento para a espondilite anquilosante?

O tratamento consiste na combinação de estratégias que envolve exercício físico regular, fisioterapia e medicação.

A atividade física realizada da forma correta, com acompanhamento de um profissional educador físico com experiência em exercícios terapêuticos em associação com um fisioterapeuta, pode contribuir bastante para a melhora do quadro geral e diminuição das restrições nos movimentos.

O tratamento farmacológico pode incluir drogas de diferentes naturezas, dependendo da avaliação em conjunto com seu médico. A primeira linha de tratamento costuma ser o uso de anti-inflamatórios, não com analgésicos simplesmente, mas como uma forma de tratamento da doença propriamente dito.

Em alguns casos podem ser utilizados medicamentos especiais que agem na inflamação por um mecanismo diferente dos anti-inflamatórios mais comuns. São as drogas anti-TNF e anti-IL17, mas estes são tratamentos relativamente novos, as drogas precisam ser administradas por injeção subcutâneas ou endovenosas, os efeitos colaterais de longo prazo são menos conhecidos e são de alto custo financeiro, por isso a decisão por uso destas drogas precisa ser cuidadosa.

Podem ser utilizadas drogas antirreumáticas modificadoras da doença, que são uma alternativa utilizada também em outros tipos de alterações articulares. No entanto, essas drogas têm pouca ação nas articulações da coluna, por isso são utilizadas quando outras articulações estão afetadas.

Também não está descartado o uso de corticosteroides por via oral ou injeções diretamente nas articulações, mas este último precisa ser bem avaliado pela existência de efeitos colaterais relevantes.

Em casos mais complicados pode ser necessária intervenção cirúrgica, mas felizmente essa necessidade fica restrita a um pequeno grupo de pacientes em que as articulações estão muito gravemente danificadas.

Quais são as possíveis complicações da espondilite anquilosante?

Existem algumas possíveis complicações da doença que podem ser evitadas, atrasadas ou aliviadas se houver acompanhamento adequado do quadro geral.

Talvez as complicações mais esperadas sejam aquelas relacionadas às articulações em si:
  1. Redução na mobilidade: embora seja comum a manutenção da independência na maior parte dos pacientes, há uma minoria em que a doença pode evoluir para diminuição importante na flexibilidade e amplitude de movimentos.
  2. Danos articulares: o quadro inflamatório persistente em articulações como as costelas pode ocasionar danos permanentes, com a fusão dos ossos e severa limitação articular, que no caso das costelas leva à diminuição da capacidade inspiratória.
  3. Síndrome da cauda equina: a porção final da medula espinhal é conhecida como cauda equina e é composta por inúmeros ramos nervosos oriundos da medula. Em casos raros a progressão da espondilite anquilosante pode comprimir esses nervos causando dor, insensibilidade e fraqueza nas nádegas e pernas. Pode causar também incontinências urinária e fecal.
  4. Uveíte: pacientes com espondilite anquilosante podem desenvolver uma inflamação nos olhos. Os olhos ficam vermelhos, irritados, inchados, doloridos e sensíveis à luz. Neste caso é preciso buscar um oftalmologista pois este quadro pode evoluir e ocasionar perda permanente da visão.
  5. Alterações cardiovasculares: há um risco aumentado de desenvolvimento de alterações cardiovasculares, por isso, quem tem espondilite anquilosante precisa de cuidados adicionais para fatores de risco para doenças como infarto e derrame. Parar de fumar, perder peso, manter uma dieta equilibrada, praticar exercícios físicos regulares e controlar a diabetes e pressão arterial são essenciais.

A espondilite anquilosante precisa ser acompanhada de maneira crônica e a manutenção da doença sob controle ajuda a prevenir danos mais graves.

Nos procure, podemos ajudar. Clique aqui a marque sua consulta.

Saiba mais:

  1. Cartilha informativa para pacientes da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).
  2. Site da SBR.